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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ESTUDOS NO LIVRO DE LUCAS CAPITULO 15 - OVELHA PERDIDA - MOEDA PERDIDA - FILHO PRÓDIGO

LUCAS CAPITULO  15 - 
A OVELHA PERDIDA - A MOEDA PERDIDA - O FILHO PRÓDIGO
Foi a insensata murmuração dos fariseus, querendo calcar a graça de Deus aos pés, que levou Jesus a dar estas três incomparáveis parábolas. O Senhor dá o doce dos céus pelo amargo dos homens. Onde abunda o pecado, aí superabunda sua graça. Quem pode calcular o número de pessoas, através dos séculos, contentíssimos com a esperança desfrutada com este capítulo? Note-se, também, como o Senhor revela, em cada parábola, Seu ardente desejo pessoal de salvar o perdido.

A OVELHA PERDIDA LUCAS  15.1-7
15.1 “E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
2 “E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebc pecadores e come com eles.
3 “E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:
4 “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha a achá-la?
5 “E, achando-a, a põe sobre seus ombros, cheio de júbilo;
6 “e, chegando à sua casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegraivos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
7 “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Que homem... (v.4): Se um homem assim se esforça para salvar uma ovelha, quanto mais Cristo para salvar uma alma humana!

E perdendo uma (v.4): Não sabemos por certo quando Cristo, o Bom Pastor, descobriu que tinha perdido uma de suas ovelhas, (vede E f 1.4.) Se, porém, a ovelha da parábola representa um mundo de homens, uma nação de pessoas, ou somente um indivíduo entre eles, é certo que o Pastor sente profundamente sua perda e anela sua volta ao aprisco.

Não deixa as noventa e nove (v.4): A ovelha que não está com as noventa e nove está perdida. O pastor sai angustiado, humilhado e pronto a dar sua vida para salvá-la. Não é constrangido pelo valor da ovelha, mas por Seu amor. Os anjos, sem dúvida, são de muito mais honra, mas Ele amou, também, o mundo.

Até que venha a achá-la (v.4): Saiu resolvido no coração a achar todas. E achará cada uma, ou pela graça da Sua cruz, ou pelo poder do Seu trono. (Jo 12.32, “todos”.) Toda a alma humana tem de se encontrar com o Filho de Deus, como seu Salvador ou como seu Juiz.

Achando-a, a põe sobre seus ombros, gostoso (cheio de júbilo) (v. 5): Grande é a compaixão deste Pastor! Nenhuma palavra de repreensão há para a ovelha extraviada, nem de censura! Que momento de gozo para o Salvador e a ovelha! Antes de a ovelha encontrar seu Pastor, viva só como interesseira e sem esperança, mas depois... interessa-se só no seu Pastor, porque Ele se interessa só nela.

Sobre seus ombros (v.5): Percorria o deserto perdida e cansadíssima agora descansa. Ele não a arrasta, nem obriga e nem ordena, mas a leva no Seu ombro, no ombro forte que governa o universo.
Chegando a casa, convoca os amigos... (v.6): Certo é que o Pastor vai a casa e, que leva a ovelha até lá, Jo 14.3, enquanto no deserto, buscando a ovelha, o Pastor estava fora de casa. Mas uma vez em casa de novo chama os redimidos, os anjos, e todos os seres celestes a regozijarem-se com Ele eternamente.

Haverá alegria no céu (v.7): Não se pense que os anjos sintam inveja. Não dá nem a entender que haja qualquer plano de redenção para eles. Contudo os anjos se regozijam, I Pe 1.12. Os anjos são missionários, vede Mt 18.10; At 8.26; Hb I.14; comp. SI 34.7.


A MOEDA PERDIDA,  LUCAS  15.8-10.
Esta parábola pequena é como uma jóia desprezada no escuro, mas de incalculável valor quando colocada em plena luz. Os crentes em geral não consideram esta hção uma das mais preciosas de Cristo, porque não entendem o sentido da parábola. Na primeira parábola encontra-se o amor do Filho em procurar o perdido; na terceira, o amor do Pai em encontrar o perdido; e nesta, a segunda, o amor do Espírito Santo em buscar o perdido.

15.8 “Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?
9 “E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida.
10 “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

Qual a mulher (v.8): Esta mulher representa o Espírito Santo, que procura algo que está perdido, algo que pode ser utilizado.

Tendo dez dracmas... (v.8): A dracma era moeda pequena e de pouco valor. A mulher, porém, sentiu profundamente a perda de uma, pois tinha apenas dez. Era boa; levava a imagem do imperador e, portanto, era moeda corrente. Representa as almas perdidas, prezadas pelo Rei, e que uma vez salvas, serão úteis no Reino de Deus.

Se perder uma (v.8): Caíra de sua mão e, portanto, não a podia governar mais. Como é triste conhecer a bênção de estar na mão do Espírito Santo e, por causa de orgulho, ou incredulidade, cair fora. Pode-se cair num momento, mas a tristeza que causa é intensa. “Não entristeçais o Espírito Santo no qual fostes selados para o dia da redenção”, E f 4.30.

Varre a casa (v.8) : A ovelha perdida andava longe do aprisco; a moeda, porém, se perdeu dentro de casa. Apesar de estar ainda em casa, estava tão inútil como se houvesse caído no país longínquo. E possível ficar na casa da salvação de Deus, no lugar de segurança e bênção e estar fora da direção do Espírito Santo. Quantas pessoas são salvas, mas sem visão de ser instrumentos na mão de Deus para Sua obra. E possível estar na mão do Espírito Santo para nos salvar sem o estar para Ele usar-nos.

Não só a moeda se perdeu, mas todo o serviço que ela podia prestar. A moeda jogada ao mar, não somente se perde tanta prata, mas também todo o bem que tal moeda pode fazer. Igualmente os que não estão na mão do Espírito Santo, estão perdidos. Mas não somente eles, está perdido todo o serviço que podem fazer. Cristo nos procura para salvar, e o Espírito Santo nos procura para usar.

Acende a candeia, e varre... (v.8) : Deus faz brilhar Sua luz e emprega a vassoura da adversidade para adquirir de novo Seu tesouro perdido. Tem de limpar a Sua casa do lixo do pecado e livrá-la das trevas da incredulidade, ou não pode achar as almas que quer usar.

Alegrai-vos... (v.9): O perdido salvo é motivo de grande regozijo, não só para o pastor Jesus), o pai (Deus), mas também, para a mulher (o Espírito Santo). Que revelação preciosa do amor e zelo do Espírito Santo em nosso favor! Como o nosso coração é endurecido e rebelde quando resiste à terna e quieta insistência do Espírito Santo no íntimo de nosso ser!

H á alegria adiante dos anjos (v.10): Os anjos, certamente, regozijam-se com a salvação duma só alma perdida. Mas o que afirma, é o gozo daqueles que estão na presença dos anjos, isto é, do Pai, do Cordeiro e dos outros seres nos céus. Houve grande regozijo nos céus, mas os fariseus murmuravam.


O FILHO PRÓDIGO,  LUCAS  15.11-24.
Note-se o ensinamento das três parábolas juntas, lição tríplice do aspecto da grande e perfeita salvação; o Filho, como o pastor, procura o perdido para salvá-lo; o Espírito, como a mulher, procura o perdido para usá-lo] e Deus como pai, procura o perdido para ter comunhão com ele.
15.11 “E disse: Um certo homem tinha dois filhos.
12 “E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
13 “E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ah desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.
14 “E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
15 “E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.
16 “E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
17 “E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti.
19 “J á não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores.
20 “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou.
21 “E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho.
22 “Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vestilho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés,
23 “e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos,
24 “porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.

Há muita razão para chamar a parábola do Filho Pródigo, A Princesa das Parábolas.

Pai, dá-me aparte da fazenda que me pertence (v. 12): O filho não tinha razão, o pai não era severo demais nem negava ao filho coisa alguma que fosse justa. E o retrato fiel da pessoa que quer seguir a sua própria vontade, ser o seu próprio deus, sentimento que é a raiz de todo o pecado, Gn 3.5. E todos somos culpados: “Temo-nos desviado aula um para o seu próprio caminho”, Is 53.6.
Queremos, como interesseiros que somos, tudo que o Pai pode dar-nos. E queremos usá-lo em nossos próprios interesses e, muitas vezes, contra Ele!

Repartiu por eles a fazenda (v. 12): O pai fez bem. Se o filho tivesse ficado em casa, nunca teria sido levado a reconciliar-se com Ele. É representação vívida de Deus entregar o homem para andar nos seus próprios desejos, imundícias, paixões, Rm 1.24,26,28. A coisa mais terrível que pode acontecer ao homem é ser abandonado por Deus para fazer todo o seu próprio desejo. E o Pai o faz somente porque anseia que Seu querido filho caia em si e volte à casa paterna, não apenas em corpo mas em espírito.

Partiu para uma terra longínqua (v. 13): O pródigo não saiu de casa porque queria ser criminoso. Desejava uma vida feliz e, como muitos, errou o alvo. Esperava achar o maior gozo numa vida desenfreada, isto é, em que a mocidade chama divertimento. Descobriu, porém, que o divertimento não dá contentamento que dura muito tempo. O que satisfaz é somente aquilo que é tão eterno como sua própria alma.
Partiu para uma terra longínqua (v. 13): Queremos um lugar tão longe de Deus que o povo não O conhece, nem se fala no Seu nome. Revela o estado miserável do coração do pródigo que não quer os cultos nem a convivência onde se fala no Pai celestial.

Ali desperdiçou a sua fazenda (v. 13): Da palavra “desperdiçou” esta parábola adquire seu título. “Pródigo” vem de palavra latina que quer dizer “dissipar”. Todos são verdadeiramente pródigos que estão gastando seu tempo, talento, bens, força, saúde e corpos só nas coisas terrestres e carnais.
Havendo ele gastado tudo (v. 14): Todas as riquezas terrestres terão fim e os prazeres do pecado são somente “por um pouco tempo”, Hb 11.25.

Houve... uma grande fome (v. 14): Os que gastam seu dinheiro, talentos e forças em procurar aquilo que não é o verdadeiro pão sempre chegam a sentir fome, fome que os afligem e afastam de Deus.
Foi, e chegou-se a um dos cidadãos... (v. 15): O que oferece toda a sua força a Satanás, fica obrigado também, a entregar seu próprio corpo e alma. E o destino inevitável de todos que andam no pecado.
Apascentar porcos (v. 15): A mais desprezível de todas as ocupações para um moço judaico. Compare  Lv 11.7.

Bolotas (v. 16): Mais propriamente “alfarrobas”, vagens da alfarrobeira, árvore ainda comum na Palestina. A massa dentro é um pouco doce e as vagens servem para alimentar porcos.
Ninguém lhe dava (v.16): O pródigo vendeu-se debalde. Ficou sempre sem ter o que comer. Enquanto o pródigo tem dinheiro e saúde não lhe faltam companheiros, mas ao cair em necessidade, todos o abandonam.

Levantar-me-ei, e irei (v. 18): O pródigo tinha de dizer: “Eu venho como estou”.
Pequei contra o céu (v. 18): O arrependimento, que é somente para com o próximo, e não para com Deus, não é verdadeiro. E isto por que todo pecado é tanto contra Deus como contra o homem. Vede “arrependimento para com Deus”: At 20.2 1; 26.20.

Levantando-se e foi para seu p ai (v.20): E possível ter convicção do pecado sem se arrepender. Pode-se ouvir o despertador às cinco horas da manhã sem se levantar. E um coisa ficar ciente de nossa obrigação; é outra enfrentá-la para cumprir com coragem. Deus nos acorda e convence, mas como o filho pródigo, temos de nos levantar e ir ao Pai, ou não podemos gozar das bênçãos dum filho. Arrependimento quer dizer romper com o pecado e nos ligar a Deus; botar fora de nosso coração aquilo que nos escraviza. E dizer: “Aqui, Senhor Jesus, está o meu pecado; morrerei antes de cometer mais este pecado.”

Quando ainda estava longe, viu-o seu p ai (v.20): Sem dúvida, o pai olhava todos os dias para aquela estrada esperando que seu querido filho voltasse. Grande é o anelo do Pai eterno que esperava a volta do pródigo à casa paterna.

Certo crente escreveu: Meu pai estava saindo para estar com Cristo. Fiquei penalizado ao lembrar-me de que eu ferira tantas vezes seu coração amoroso por minha ingratidão e desobediência. Contudo, pedi que me perdoasse. Com o rosto mostrando o intenso sofrimento do seu corpo, virou os olhos para mim, cheios de amor e disse: ‘Não me lembro que fizeste coisa alguma para me entristecer’. Esperava que logo me perdoasse, mas,"nunca até esse grau. Não me lembrava das minhas faltas por causa do seu grande amor para comigo”. Como isto ilustra o amor do Pai celestial para com todos nós! “Pois eu lhes perdoarei as suas iniqüidades, e não me lembrarei mais de seus pecados”, Hl) 8.12.

Correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou (v.20): A única vez que Deus é representado correndo, ou com pressa, é em aceitar o perdido em casa.

0 filho disse: Pai, pequei... (v.21): Note-se como o pai não lhe respondeu com palavra sequer de repreensão e nem de censura. Não chegou a dizer: “Faze-me como um dos teus jornaleiros”, v.19. Todos que já foram a Deus contritos e confessando seus pecados, podem testificar de que isto é ilustração fiel da maneira em que Ele sempre os recebe, SI 103.13.

Trazei defrressa... (v.22): Desde o dia em que o filho saiu, o pai tinha a roupa pendurada em casa, o anel e sandálias comprados, e tratava do novilho para fazer uma grande festa ao seu voltar. Não precisamos andar mais em nossos trapos de justiça própria, nem com as manchas deste mundo. Nem tão pouco devemos roer os ossos de argumentos e contendas sobre batismos, missas e outras questões inúteis. “Vem cear; o Mestre chama”. Ele já matou para nós “o novilho cevado” e podemos comer carne espiritual e saborosa!

Estava morto, e reviveu (v.24): A pessoa que anda no país longínquo, “apesar de viver está morta”, 1 Tm 5.6. Voltar à casa paterna é voltar da morte para a vida.


O IRMÃO DO PRÓDIGO,  LUCAS  15.25-32.
Não se sabe, geralmente, que o filho pródigo tenha irmão, mas o pai bondoso tinha, ao menos, um outro filho, “o seu filho mais velho”, w .25, 11. Têm muita razão os que consideram a história do filho pródigo “A Princesa das Parábolas”.
Mas não há nada de razão para desprezar a parte que trata do filho mais velho. Cristo é o Mestre dos pintores. Nunca traçou uma linha supérflua. E quando delineou fielmente, no fundo deste quadro famoso, este homem antipático e mal humorado, falava não somente de uma classe numerosa de Seu tempo, mas também, de todos os tempos, e de nossa época.

15.25 “E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
26 “E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
27 “E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
28 “Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele.
29 “Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrarme com os meus amigos.
30 “Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes,
mataste-lhe o bezerro cevado.
31 “E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas.
32 “Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.

O regozijo profundo e emocionante na casa paterna, sobre a volta do filho pródigo, não era unânime. No meio da música e das danças (v.25), discernia-se um som desentoado, a queixa do filho mais velho. O irmão mais velho do pródigo representa:
1) Aquele que é filho bom, mas irmão insensível.
2) Aquele que serve, mas sem comunhão.
3) Aquele que é herdeiro mas sem se alegrar.

1) Aquele que é filho bom, mas irmão insensível. O irmão do pródigo orgulhava-sede ser filho de seu pai. O pai tratava-o de “filho”. O filho comportava-se bem, honrando o nome do pai e cuidando diligentemente dos interesses dele. Mas não reconhecia que o fato de ser filho incluía a responsabilidade de ser irmão. Note-se como o pai diz ao filho mais velho: “teu irmão”(v.27), mas este filho responde indignado: 

“teu filho”(v.30) e não: “meu irmão”.
O irmão do pródigo não reconhecia o significado do pão de sobra (v. 17) na casa do pai. Depois da refeição ignorava a grande parte que sobejava, não se perguntava porque seu pai supria tanto, nem se lembrava de seu irmão esperado pelo pai.
Nunca há escassez com Cristo. Há pleno perdão para todas as criaturas. Há gozo para fazer todos os corações transbordarem. Há paz suficiente para saciar todas as almas. Há força para todos os fracos. Há saúde para todos os enfermos.

Há justiça para todos os miseráveis. Há sangue para limpar as manchas de todo o mundo. Podemos contemplar toda essa abundância sem nos lembrar daqueles para quem o Pai a preparou?
Que quer dizer os braços da cruz estendidos e abertos? E somente para me salvar? Para quem é o Evangelho? E somente para mim? Para que Jesus prepara “lugar” nos céus? Não é para todos os homens? Não significa nada para nós, que há abundância para todos os milhões não evangelizados de nosso país? Da índia? Da China? Da África? Das inumeráveis ilhas do mar?

2) Aquele que serve, mas sem comunhão. O irmão do pródigo não era homem remisso em servir ao pai. Nunca se comportava mal. Podia dizer: “Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento”, v.29. Mas no seu zelo incansável se esquecia da parte mais importante, a comunhão com o pai. Não fez menção do seu irmão. Se tivesse dito: “Pai, estou lembrado do meu irmão. Achas que está passando bem, que tem o suficiente para comer?” o pai teria respondido: “Meu filho, é isso em que penso dia e noite. É por isso que estou cevando o novilho e guardando a melhor roupa”.
Tristes são os crentes que não falam ao Pai celestial acerca do Seu filho pródigo. Não falam ao Pai porque parece nem notam o lugar desocupado na mesa do Senhor. Dizem que nunca foram chamados para evangelizar nos lugares difíceis. Nunca foram chamados, mesmo, porque não sentem o que o Pai sente ao ver esses lugares vazios.

Ainda mais, o filho mais velho nem estava em casa quando seu irmão voltou. O pai correu e beijou o pródigo e aceitou-o em casa e o festejou. Mas o “filho mais velho estava no campo”, v.25. E justamente como acontece com muitos. Estão sempre ausentes do culto quando o amoroso Deus opera Suas maiores maravilhas de graça. Há, contudo, outros que estão sempre presentes esperando e determinados a participar do gozo quando o pródigo voltar.

“Eis que te sirvo há tantos anos..” (v.29): O filho mais velho pensava que o pai só se interessava no gado e na lavoura e nem compreendia que o grande interesse de Seu temo coração fosse seu filho ausente de casa. É ilustração penetrante:
1) Da igreja zelosa em tudo a não ser no alvo mais profundo do coração de Deus, a salvação dos perdidos.
2) Da escola dominical se esforçando, semana após semana, para ensinar as Escrituras a um número crescente de alunos, mas sem lembrança viva do maior interesse do Pai, à volta dos pródigos.
3) Das contribuições de grande somas de dinheiro para fundar colégios, hospitais, templos etc., mas esquecidos do anelo do coração do Pai de ver Seu filho voltar.
4) Dos hinos, da música e dos coros bem ensaiados mas sem comunhão, sem nota do Sangue. Queremos boa música ou, antes anelamos a salvação das almas dos homens?

3) Aquele que é herdeiro, mas não se alegra. “Nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos”, v.29. O filho mais velho, apesar de ser herdeiro, era um dos homens mais tristes do mundo.
Grande é o problema de divertimento para o povo de Deus, especialmente entre a mocidade. A solução é em aprender o segredo de alegrar-nos na casa de nosso Pai. Há muitos crentes que dizem: “Nunca me alegro. Dediquei todo o meu ser e tudo que possuo, ao Senhor. Sirvo a Deus incansavelmente, mas não sinto gozo”. Não é de admirar que, atualmente, o Jilho mais velho procure prazer no cinema e em outros lugares que não lhe convém.

E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo (v.26): Este moço era um dos filhos deste lar, mas tinha de chamar um servo para saber o segredo da alegria na casa de seu pai! Não gostava daquela sorte de música. Só apreciava a música “clássica”, a música que os cantores entendem, mas não alegra a ninguém. Era contra as danças, pois não conhecia esta maneira de se alegrar na casa de seu pai. Vede Ex 15.20; 2 Sm 6.14.

“O reino de Deus é... justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”, Rm 14.17. “A alegria do Senhor é a vossa força”, Nm 8.10.

Nunca me este um cabrito para alegrar-me (v.29): O pai nunca lhe dera um cabrito, porque não Lho pedira. Vede Tiago 4.2. O irmão do pródigo não festeja porque não quer.

Na parábola da ovelha perdida, Jesus anela a volta da ovelha extraviada. Na história da moeda perdida, o Espírito Santo se esforça para ter fruto nos infrutíferos. Na parábola do filho pródigo, Deus almeja comunhão com Seus filhos (1 Jo 1.3,6), tanto com aqueles que permanecem em casa como com aqueles que andam no país longínquo.


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